CRÍTICA | A Guerra de Anna

Parece um filme tímido e que nunca chega ao excepcional, mas com uma personalidade própria, traz uma narrativa grandiosa.
Parece um filme tímido e que nunca chega ao excepcional, mas com uma personalidade própria, traz uma narrativa grandiosa.

Título Original: Annas’s War | Voyna Anny
Lançamento: 28 de Maio de 2020
Gênero: Drama/Guerra.
Elenco Original: Marta Kozlova, Lyubov Vorozhtsova, Vladimir Sapin.
Direção: Aleksei Fedorchenko
NOTA:

Lançado através da plataforma de streaming brasileira Cinema Virtual, A Guerra de Anna, do cineasta russo Aleksei Fedorchenko, narra a história da garota judia de seis anos Anna (Anna Marta Kozlova), única sobrevivente de uma família massacrada pelos nazistas em 1941 na União Soviética, que se esconde acima da lareira abandonada do escritório de um comandante nazista. De lá, ela observa o cotidiano da vila, até que a mesma esteja livre dos nazistas. Nesta trajetória, a menina conta com a companhia de um gato e parte para a jornada de se redescobrir como ser humano e na engenhosidade de sobreviver à fome, à sede e ao frio desses dias terríveis.

Logo no início do filme, somos apresentados à protagonista quando a mesma está escondida debaixo de uma pilha de cadáveres, em uma das cenas mais fortes do longa, excepcionalmente fotografada por Alisher Khamidkhodzhaev. A partir daí, a narrativa, trabalhada especificamente sob a limitada e claustrofóbica visão da garota, nem sempre funciona em seus momentos mais angustiantes ou até mesmo dramáticos - ainda que seja silenciosamente bem contado. É notável a preocupação do diretor em mostrar com subjetividade o que entende-se dessa guerra, já que a perspectiva de uma criança escondida sempre será diferente do que se sabe amplamente, mas o roteiro limitado atrapalha e segue uma linearidade sem muitos ápices em sua história. Exemplificando, a cena mais intensa do longa está apenas no terceiro ato, já tarde demais para a proporcionar uma experiência realmente emocionante.

A Guerra de Anna ao menos compensa em seu nível técnico, proporcionando momentos impressionantes ao mostrar detalhes bem observados e até mesmo obscuros. Visualmente, traz o subjetivo e preza pelo sensorial. As nuances entre as cenas em que Anna está escondida e as quais ela começa a descobrir o mundo à sua volta, por exemplo são de encher os olhos. Além disso, o design de som de Vincent Arnardi ("Amelie") revela detalhes minuciosos (que nem sempre vemos) com um excelente uso do espaço (dentro e fora da tela), como quando ouvimos tiros à distância ou diálogos importantes. No fim, o silêncio dessa produção tem muito o que contar.

Em um mundo onde temos grandes obras que mostram uma visão inocente e limitada do holocausto, como "A Infância de Ivan", de Andrei Tarkovsky, e "Vá e Veja", de Elem Klimov, A Guerra de Anna parece um filme tímido e que nunca chega ao excepcional, mas com uma personalidade própria, traz uma narrativa grandiosa baseada nos pequenos detalhes. E é nesse sentido que ele se faz necessário e inspirador.
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