Cinépolis Pátio Batel inaugura 1ª Sala de Arte no Brasil; Entrevista exclusiva dá mais detalhes


Na última quarta-feira (30), a rede Cinépolis inaugurou a primeira Sala de Arte no Brasil, que promete renovar a forma como o público vê cinema. Para sabermos mais sobre o projeto, conversamos com o presidente da rede Luiz Gonzaga de Luca, que nos contou como a ideia surgiu e a curadora da Sala, Luiza Honda.

"A Sala de Arte começou com a preocupação de ter uma diversidade nos cinemas do mundo inteiro, já que estamos presentes em quinze países." comenta. "Para termos uma ideia, no México temos muito público. É uma loucura. As pessoas são originalmente cinéfilas. Tanto que na cidade do México temos a Cineteca, que possui nove salas. Só para comparar, em São Paulo, a Cinemateca tem três salas (e pequenas). A Cineteca mexicana está entre os vinte maiores cinemas em termos de público no México. São cerca de um milhão e duzentos de espectadores. E a Cineteca trabalha sem ter uma visão elitista. No Brasil, o 'Cinema de Autor' ficou muito com essa visão elitista. Então, se cria um conceito, que até era bacana nos anos 80, que é o 'Cinema Café' e o 'Cinema Pipoca'. É uma separação. E o que está acontecendo com o cinema de arte no Brasil? Está se extinguindo. Enquanto que na década de 90 tinha 10% do mercado, hoje tem 3%." lamenta o empresário.

"Hoje, grande parte do  Cinema de Arte são cinemas com projeção ruim, som ruim, poltronas ruins... As pessoas vão envelhecendo e não se tem formação de plateia." Continua. "E hoje, cada vez mais, até mesmo com o surgimento do streaming, vai sendo mais fácil exibir. Então, não se tem mais público. A Cinépolis, neste sentido, teve o entendimento de que é necessário, dentro de um Multiplex, não fazer essa divisão. Realmente formar um público."


Para ele, o público que consome o Cinema de Autor não é necessariamente aquele que não quer assistir aos filmes em uma sala grande e confortável. "Curitiba," Gonzaga cita como exemplo. "é uma das únicas cidades que possuem essa diversidade de cinema. Mesmo com o fechamento do Cinema da Fundação Cultural, existe um ressurgimento aqui. Isso não é comum no Brasil. E ainda assim existe essa fratura de fornecer filmes para uma plateia específica, de maior poder intelectual ou culturalmente mais bem formado. Na realidade o fato do sujeito ter mais dinheiro ou querer ver em um cinema sofisticado em termos de conforto e etc... não quer dizer que ele não goste de Filme de Autor. Então, Curitiba seria a cidade que menos precisaria, culturalmente falando, mas como estávamos renovando o cinema, a gente achou que era o momento de colocar a Sala de Arte aqui."

Segundo o presidente, ter a capital do Paraná como a primeira cidade a receber uma Sala de Arte no Brasil foi necessário, já que o cinema, situado no Shopping Pátio Batel, esteve passando por uma reestruturação, devido ao desperdício de potencial de algumas salas. "A Macro, por exemplo, com uma tela praticamente do mesmo tamanho da do IMAX (que estaria nos planos da rede, não fosse a exclusividade do [Shopping] Palladium), não ia bem." comenta. "Para compensar, as salas vip não tinham lugares para o público nos finais de semana. Nós resistimos por muito tempo contra o conceito de termos Vips grandes, pois a gente insiste em ter o serviço na cadeira. Para isso, tivemos que aumentar e mexer na cozinha, também. A 4DX, que tinha 220 lugares, foi passada para um local menor, com 100 poltronas, dando espaço para outra vip. E nessa readequação, vimos que ali tinha espaço para a Sala de Arte."


Sobre expandir o projeto para todo o Brasil, Gonzaga comenta que "A nossa intenção é de ter até o final do próximo ano vinte e cinco Salas de Arte no Brasil." Luiza Honda, a curadora do projeto, complementa: "Já temos um projeto em Campinas, no Rio e estamos tentando convencer Natal, Manaus, Jundiaí..."

Gonzaga continua: "Para termos uma ideia do que estamos falando, Manaus teve um grande exibidor, bastante conhecido, um jornalista chamado Joaquim Marinho. Ele chegou a ter quatro cinemas de arte em Manaus. Hoje, não há nenhuma sala em Manaus. Então, se vê que onde existia cinemas diversos assim não existe mais. Isso significa que hoje o cinema vive de vinte filmes, que são os Avengers - que é ótimo, acho maravilhoso fazer 29 milhões de plateia. E ainda assim existe um público que pode ser formado para o cinema de arte." Para concluir a ideia deste conceito, ele menciona que se busca "ter uma formação de público. Uma diversidade. Senão, as pessoas assistirão os conteúdos em celulares e etc."

Quanto à seleção de filmes que serão exibidos na sala, Honda explica "Estamos dando bastante atenção para filmes que passam em festivais, para variedades. O mercado tem muito mais diretor homem com ênfase, então temos escolhido filmes de diretoras mulheres." comenta. "Buscamos filmes com pautas sociais, pautas relevantes. Que tenham alguma atração artística. Pois esse público existe e esse público quer assistir. Precisamos apenas colocar no cinema, pegar na mãozinha e falar 'vamos lá' e fazer esse trabalho de formação de público, que é difícil, é penoso, é devagar... não vai ser de um dia pro outro. Mas esse público existe e esse público consome. Só precisamos readequar e fazê-los acostumarem a irem de novo ao cinema para assistir esse tipo de filme."


Para finalizar, eles nos dão uma prévia do que vêm por aí nas primeiras semanas de programação da Sala de Arte:

"A programação para novembro agora é basicamente de possíveis candidatos ao Oscar. Tem filmes da Coréia do Sul, da Argentina, Argélia, México, Brasil...", comenta Gonzaga. Honda complementa: "Justamente buscando essa diversidade e não ficar apenas na produção norte-americana."

O Cinépolis do Pátio Batel passa a ter agora uma Sala de Arte, com poltronas e serviço, duas salas VIP, com as novas Poltrona Lounge (mais largas e mais confortáveis), além de equipamentos e visuais mais modernos.


Serviço:
Cinépolis Shopping Pátio Batel
Endereço: Av. do Batel, 1868 – Batel, Curitiba – PR, 80420-090

Sobre a Cinépolis Brasil
A Cinépolis é a maior operadora de cinemas da América Latina e segunda maior do mundo em ingressos vendidos, com um total de 738 cinemas, 5.941 salas 100% digitais, em quinze países.

Desde sua chegada ao Brasil em 2010, é a rede com maior crescimento no mercado. Atualmente, opera 57 cinemas em todo o Brasil com 422 salas, com marcas destaque como Macro XE, IMAX, 4DX, VIP e Junior. A Cinépolis é a maior operadora de salas VIP do mundo e, no Brasil, foi a pioneira na implantação da tecnologia 4DX – que permite o movimento das poltronas e gera mais de 20 efeitos especiais sincronizados com o filme.

Em 2019 e 2017, foi eleita a “Melhor Sala Premium” de São Paulo pelo Guia Divirta-se. Em 2018, pela terceira vez, o Cinépolis JK Iguatemi foi eleito pelo Guia da Folha como o melhor cinema da cidade de São Paulo (2015, 2017 e 2018) e sua sala IMAX foi apontada como a melhor sala individual do circuito. Em 2016 e 2017, a rede Cinépolis ficou em 1º lugar no “Prêmio Estadão Melhores Serviços”, na categoria redes de cinema.

A constante inovação e o bom desempenho são reconhecidos com diversos prêmios, dentre eles: Melhor Exibidor por quatro anos consecutivos (2011, 2012, 2013 e 2014), concedido no Prêmio ED (Exibição & Distribuição), realizado pelo Sindicato das Empresas Exibidoras do Estado de São Paulo.

Mais informações, acesse: http://www.cinepolis.com.br
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