CRÍTICA | X-Men: Fênix Negra



Título Original: X-Men: Dark Phoenix
Lançamento: 06 de junho de 2019
Gênero: Ação, Aventura, Fantasia.
Elenco Original: Sophie Turner, Jessica Chastain, James McAvoy, Jennifer Lawrence, Michael Fassbender, Nicholas Hoult.
Direção: Simon Kinberg
NOTA:

Uma das franquias mais adoradas pelos fãs, X-Men, da Marvel Comics, sempre teve seus altos e baixos. Começou timidamente com o interessantíssimo X-Men: O Filme (2000), que apresentava muito bem os mutantes ao público com excelentes cenas de ação e um elenco primoroso. Logo em 2003, estreava sua sequência, ainda melhor. A decepção, porém, ganhou forma com a terceira parte da franquia. "O Confronto Final", que adapta o arco de Jean Grey se tornando a temível Fênix Negra, traz de volta toda a ação que os fãs gostavam, mas decepciona em seu argumento. O sucesso de bilheteria se manteve, gerando uma sequência pior ainda: "X-Men: Origens - Wolverine" (2009). Esta, fracasso de crítica e bilheteria, quase enterrou a franquia, não fosse o desejo dos fãs de tornarem a ver seus heróis favoritos nos cinemas.

Foi em 2011 que a produtora achava uma nova maneira de reerguer os X-Men com "Primeira Classe", um novo sopro de esperança para os fãs, que finalmente puderam conferir um filme bem escrito, com uma ótima direção e grande elenco - como nos primórdios da franquia. Posteriormente, um novo filme do Wolverine surgiu (mediano, mas coerente), mas foi com "X-Men: Dias de um Futuro Esquecido" que a nova parcela da franquia atingia seu ápice de qualidade até então. Combinando os melhores elementos que moldaram a saga durante quinze anos, o filme consegue inovar e criar uma base mais sólida para o futuro dos mutantes. E esse futuro começa a tomar forma com "Deadpool" (2016) e seu estilo cômico diferenciado.

A montanha-russa que é X-Men nos cinemas continua e "X-Men: Apocalipse" (2016) é uma das maiores quedas, com seu enredo fraco, vilão tedioso e produção penosa. No ano seguinte, "Logan" estabelece bem o personagem vivido por Hugh Jackman e traz o melhor filme de toda a franquia (ouso afirmar que seria também o melhor do gênero). Caminhando bem entre nuances de violência, ação e emoção, com um roteiro excelente cheio de coração, este traz uma perfeita despedida de seu personagem mais carismático e poderia muito bem ser o ponto final mais agradável para os mutantes nos cinemas. Porém, os produtores concluíram que ainda haviam alguns milhões para se extrair da franquia e surgiu, então, X-Men: Fênix Negra, que readapta o arco da personagem-título (que parece sofrer algum tipo de maldição no cinema), como aconteceu em "O Confronto Final".

Desde sua pré-produção, "Fênix Negra" gerava expectativas mistas entre os que esperavam um grande filme e os que ainda sentiam o sabor amargo deixado pela primeira trilogia. Contando com atrasos na produção, uma equipe pouco à vontade e refilmagens de última hora, o filme acabou recebendo a difícil missão de finalizar a franquia, já que a Walt Disney, agora detentora da 20th Century Fox e, consequentemente, da franquia, tem intenção de reiniciá-la e inseri-la no Universo Cinematográfico da Marvel, junto aos Vingadores. Esse peso talvez tenha sido um dos principais motivos que tornaram o filme mediano. Começando pelo elenco e seus personagens.

Enquanto que Sophie Turner, com todo seu carisma e grande presença de cena, se esforça pra trazer o máximo de complexidade em sua personagem (ainda que a Fênix de Famke Janssen se mostre mais ameaçadora), o restante do elenco é decepcionante. Mesmo grandes atores como James McAvoy (talvez o mais expressivo junto à Turner) e Michael Fassbender pareciam pouco à vontade e pararam na superficialidade. A Mística de Jennifer Lawrence, que desde “Dias de Um Futuro Esquecido” visivelmente se tornou um fardo para a atriz, aqui é insuportável. Com uma inexpressividade absurda, Lawrence parecia estar ensaiando seu texto e em momento algum parece se importar em dar credibilidade à sua personagem. Ainda que a sempre excelente Jessica Chastain mereça destaque ao fazer o máximo para extrair alguma profundidade de sua vilã, o roteiro, por vezes um pouco medíocre e muito didático, pouco se importa em apresentar uma origem decente à personagem ou um motivo bom o suficiente para que ela fizesse parte da trama.

Falando no texto, é impossível não notar a falta de criatividade nos diálogos e o distanciamento de seus próprios personagens se comparados aos filmes anteriores, trazendo algumas discussões e frases de efeito tão cafonas, que são motivo de riso (no mal sentido, claro). Em uma discussão importante sobre acontecimentos que desencadeariam a principal estrutura narrativa do enredo, por exemplo, a Mística exclama que o nome do grupo deveria mudar pra X-Women, já que as mulheres estão sempre salvando a pele dos homens por ali. A frase, uma tentativa pífia de tentar provar algum tipo de “girl power”, pouco cabe no contexto da cena ou do filme em si, que sequer valoriza suas mulheres (além da personagem-título - que inclusive compete o protagonismo com outro homem -, apenas a vilã tem certo destaque e não é mérito do roteiro). O argumento ainda pouco trabalha na complexidade da mente de Jean Grey, limitando-se apenas à sua melancolia e em "excessos de raiva" que mais parecem birra de criança e não uma crise de identidade que deveria importar mais para a construção de sua nova persona.

Mas nem tudo é ruim aqui. A construção das cenas te prende e traz um visual satisfatório, ainda que a direção não consiga montar momentos de ação interessantes (por muitas vezes caóticos), mas a competente equipe de efeitos visuais confere bons gráficos. Cenas como a do acidente automobilístico e a da missão espacial são interessantíssimas e iniciam muito bem o longa, que continua gerando expectativas tensas, como no embate entre a protagonista e helicópteros militares. Destaque também para a fotografia de Mauro Fiore, premiado por "Avatar" (2009), que pouco se importa com a tecnologia 3D (aqui extremamente dispensável). A tensão também é bem presente nos principais momentos do filme, talvez pela trilha sonora de Hans Zimmer, que entrega um de suas trabalhos mais interessantes, mas peca pelo excesso - como acontece em "O Espetacular Homem-Aranha 2: A Ameaça de Electro". Enquanto que cenas com apelo mais científico e algumas mais tensas são embaladas com excelentes notas metálicas e graves, outras se tornam cansativas aos ouvidos por não necessitarem dessa base musical para envolver o público. Pareceu-me que 90% da projeção trazia uma trilha de fundo e os ouvidos se cansaram na metade dela.

Mesmo chegando ao ápice em uma cena esquisita muito parecida com a cena final de Mulher-Maravilha (2017), com um exagero de efeitos especiais, oscilações entre movimentos rápidos e em slow-motion e frases de efeito sobre amor, X-Men: Fênix Negra consegue ser superior à "O Confronto Final", ainda que apresente alguns dos mesmos problemas e inconsistências. Se um diretor mais competente tivesse assumido o posto, poderíamos ter uma produção mais emocionante e realmente digna de encerrar uma grande história. Porém, me entristece dar adeus à saga com um filme que não faz jus à sua jornada, quando poderíamos ter na memória a perfeita conclusão de Logan.

Ah! Não perca seu tempo ficando até o final da projeção, pois não há cenas pós-créditos.

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