CRÍTICA | Guava Island

Um tributo à arte, à liberdade e ao amor.



Título Original: Guava Island
Lançamento: 13 de abril de 2019 (Digital - Amazon Prime)
Gênero: Comédia, suspense, drama.
Elenco Original: Donald Glover, Rihanna, Letitia Wright e Nonso Anozie.
Direção: Hiro Murai
Roteiro: Stephen Glover
Duração: 55 min.
NOTA:

"Onde quer que haja amor, a guerra seguirá.", nas palavras da própria Kofi (personagem de Rihanna), é o que melhor representa o contexto desse que é um dos filmes mais bonitos dessa geração.

Produzido pelo serviço de streaming da Amazon em parceria com o ator Donald Glover (conhecido como Childish Gambino no cenário musical), Guava Island narra brevemente a história de uma ilha rica em recursos e culturas, que vive sob o domínio de Red Cargo (Nonso Anozie), empresário que explora o maior recurso natural dessas terras: a ceda azul. Donald Glover interpreta o músico local Deni, que está determinado a produzir um festival para que todos possam desfrutar de um pouco de liberdade.

O filme explora de maneira fascinante a cultura da Ilha Guava, que basicamente representa o mundo em que vivemos. Logo de início, somos apresentados ao mito que dá origem à ilha. Com uma narração poderosa de Rihanna, a história se desenvolve perfeitamente já desde o primeiro momento, sem acabar se perdendo ao fantasioso - afinal, ali está representado o próprio planeta e sua colonização. O enredo, mesmo que ficcional, é real, com personagens reais e problemas reais. Stephen Glover consegue entregar um roteiro coeso, artístico e profundo, com uma belíssima crítica ao capitalismo (representado pelo vilão de Nonso Anozie) e à polarização social que acercam a indústria musical e atingem também o meio ambiente. Hiro Murai dirige com mãos firmes e impõe suspense, dramaticidade e romance na medida certa, enquanto embala com excelentes produções musicais, essas que contribuem muito à narrativa principal, sem tirar o protagonismo do enredo.

Todo esse contexto ganha forma com um excelente design de produção. Rico em detalhes, os cenários transferem peso à narrativa e nunca deixam de fazer parte dela. A maneira como as cores representam cuidadosamente cada sentimento e expressão é magistral. Seja nos figurinos ou nos objetos em cena, o vermelho (que dá nome ao empresário - e consequentemente à empresa), simboliza a opressão e está sempre presente, mesmo que de forma singela. Nota-se que, enquanto os funcionários (ou seriam escravos?) utilizam uniformes completamente vermelhos, o protagonista veste apenas um shorts nessa cor, enquanto que mostra bem sua pele e, contrastando essa linha tênue entre o oprimido e o espírito livre, veste uma camisa azul. Azul este que, enquanto dá cor ao bem material mais precioso da ilha, representa também o bem mais precioso de sua população: a liberdade. Livre para interpretações, ainda podem trazer uma representação do poder de fogo e da água (que sempre será o que há de mais precioso no planeta), respectivamente. E isso fica muito claro na cena final (uma das mais belas do cinema atual), quando o "mar" engole o "fogo".

É impossível não deixar de elogiar Donald Glover como ator, músico e um verdadeiro artista. Atuando em seu próprio conceito musical, ele confere peso e coesão ao seu personagem. Seu carisma e força são alguns dos pontos mais positivos do filme e serve como uma ponte de ligação direta com a sua mensagem. Kofi é uma presença marcante, bela e representa perfeitamente a inspiração artística, graças ao empoderamento de Rihanna, que cativa mesmo não sendo uma grandiosa atriz.

Um tributo à arte, à liberdade e ao amor, Guava Island traz sua mensagem belíssima e importante através de uma narrativa criativa, charmosa e simbólica, dando ao espectador muito mais do que ele esperava. Termino, enfim, com as palavras de Deni: "que todos sintam-se o mais livres possível".
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