CRÍTICA | A Freira

A Freira traz uma atmosfera assustadora e densa, mas peca ao não se aprofundar em seu enredo.



Título Original: The Nun
Lançamento: 06 de setembro de 2018
Gênero: Terror, suspense.
Elenco Original: Taissa Farmiga, Demian Bichir, Jonas Bloquet e Charlotte Hope.
Direção: Corin Hardy
NOTA:

Quando estreou lá em 2013, Invocação do Mal, do excelente James Wan (das franquias "Jogos Mortais" e "Sobrenatural"), logo se tornou um grande sucesso de bilheteria e críticas, levando o gênero do terror novamente aos grandes holofotes do cinema. Com tanto sucesso no caminho, a produtora New Line em parceria com a Warner Bros., logo correu atrás de continuar essa jornada, lançando novos filmes em uma aterrorizante franquia de sucesso (conhecida como "Universo Invocação do Mal"). Enquanto que o longa original tenha rendido uma sequência no mesmo nível do primeiro, o novo filme da franquia, Annabelle, decepcionou como um fraquíssimo capítulo desse universo, mas sua ótima sequência, contando agora com a direção de David F. Sandberg (de "Quando as Luzes se Apagam"), deu um novo suspiro de qualidade para que novos filmes chegassem às telonas.

Anunciado, então, como o capítulo mais tenebroso da franquia, A Freira chega aos cinemas com muita expectativa de público. Situado nos anos cinquenta, o filme conta as origens do demônio Valak e inicia-se quando uma freira comete suicídio em uma abadia da Romênia. Para investigar o caso, o Vaticano envia o padre Burke (Demián Bichir), assombrado pelo passado, e a noviça Irene (Taissa Farmiga), prestes a se tornar freira. Arriscando suas vidas, a fé e até suas almas, os dois descobrem um segredo profano e se confrontam com uma força do mal que toma a forma de uma freira demoníaca e transforma o convento em um campo de batalha.

O estilo gótico da produção logo nos transporta em uma atmosfera medonha e assustadoramente bela. Os cenários medievais, somados com uma excelente mixagem de som, são um vislumbre e traçam uma realidade interessante em seus monumentos crus, proporcionando um passeio sombrio e surreal. Contando ainda com uma fotografia belíssima, planos abertos e fechados são contrastados à todo instante, trazendo momentos claustrofóbicos e cheios de suspense. O excelente fotógrafo Maxime Alexandre traz uma linguagem única, com movimentos de câmera que muito se igualam à visão humana aterrorizada. A câmera passeia nos cenários e mostram que sempre tem algo à espreita na escuridão, mas nunca revela a real aparência da criatura - que possuem momentos certos para aparecer.

Mesmo que traga momentos memoráveis da aparição aterrorizante, a direção um pouco preguiçosa de Corin Hardy, que trouxe ao cinema o interessante A Maldição da Floresta, atrapalha num todo.  Alguns dos conhecidos jump scares funcionam perfeitamente, enquanto que a maioria traz uma previsibilidade imediata - fazendo com que os sustos não deem muito certo. Mesmo assim, vale o elogio à intenção de trazer o medo em forma de atmosfera e não ao terror já bem convencional.

O que mais chama atenção em A Freira é, consideravelmente, a performance do elenco. Taissa Farmiga entrega com maestria uma personagem carismática e tece uma evolução de sua protagonista de maneira satisfatória - dando bastante credibilidade em suas cenas mais assustadoras. Jonas Bloquet, por outro lado, entrega todo o seu carisma como o galanteador que acaba descobrindo o corpo da freira suicida. É em seus diálogos que está o alívio cômico da produção, que funciona muito bem. Demián Bichir é o que menos entrega convicção em seu personagem, mas mostra bastante química com seus parceiros de elenco.

A Freira, afinal, é um bom filme, mas está longe de ser "o capítulo mais assustador". Mesmo que traga cenas icônicas, um ótimo elenco, uma trilha sonora memorável e cenários fascinantes, as camadas do filme permanecem na superfície, sem ter muito no que se aprofundar - deixando assim que pontuemos negativamente o roteiro e seu enredo. A simplicidade de sua narrativa é um passo para trás, mesmo com tantos avanços em sua qualidade atmosférica.
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