RESENHA LITERÁRIA | Alif, o invisível, de G. Willow Wilson


Título original: Alif the Unseen
Autor: G. Willow Wilson
Número de Páginas: 352
Editora: Rocco (Fantástica)
Tradução: Ryta Vinagre
NOTA: 5/5
Sinopse: Em um estado de exceção no Oriente Médio, um jovem hacker que atende pelo nome de Alif – a primeira letra do alfabeto árabe – oferece seus serviços a grupos de dissidentes sob observação do governo e faz o possível para se manter longe de problemas. Mas quando seu computador é invadido pela força de segurança eletrônica do Estado e ele se torna um foragido político, Alif se lança em uma aventura que oscila entre o digital e o físico, o real e o fantástico, o visível e o oculto. Mergulhado em um mundo invisível muito diferente do digital, o hacker precisará colocar em xeque suas crenças e arriscar o próprio pescoço para impedir que um antigo e precioso livro caia nas mãos erradas. Alif, o invisível é uma mistura sofisticada de magia, ideias, romance, tecnologia e espiritualidade; um livro de leitura irresistível.

Criatividade e inteligência são as palavras certas para descrever a história de G. Willow Wilson, que é ninguém menos que uma das principais autoras da atual DC Comics. Nesta aventura fantástica da autora, conhecemos Alif, um jovem hacker que usa a primeira letra do alfabeto árabe como pseudônimo na internet. O garoto trabalha com seus dotes tecnológicos para proteger seus clientes, que em sua maioria são fundamentalistas islâmicos e cidadãos que vão contra a censura da cidade fictícia onde a história se passa. Ele, é claro, vai contra os princípios governamentais de sua região, mas os seus segredos não estão apenas no mundo cibernético. Alif esconde uma paixão por uma garota, o que na certa traria problemas à ele. Porém, o problema real lhe aparece quando um livro antigo e misterioso vai parar em suas mãos.

A cultura abordada é muito confusa e será difícil entender, você certamente deve estar pensando. Isso, porém, não foi problema algum para mim. A autora descreve os costumes e cotidiano daquele povo de maneira tão didática e explicativa, que fica impossível não se familiarizar com aquele universo. De repente, me peguei viajando nesta cultura linda e me encantando com o quanto eu poderia me familiarizar com ela. Não que tenhamos culturas parecidas, mas tudo na narrativa é compreensível.

A narrativa não só nos faz compreender uma região tão diferente da nossa, como também apresenta belos personagens. Personagem é o que não falta na história, mas a quantidade é proporcional ao fundamental papel que cada um exerce no crescimento do protagonista. Presenciei tantos corações e mentes diferentes, que não consegui desgostar de nenhum. Wilson consegue construir personagens com almas, impondo questões filosóficas bem elaboradas nos mais simples diálogos.

A mistura entre a cultura religiosa - até política - e a magia fantasiosa tem um equilíbrio majestoso. A tecnologia tem seu ponto forte na narrativa, que em momento algum se tornou maçante ou incomodou. É tudo tão natural e imersivo, que acabou se tornando um dos meus livros fantásticos favoritos. Para o seu novo selo editorial, a editora Rocco apostou e acertou em cheio!

Originalmente publicada no blog A Colmeia
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